Quando se pensa em política, deve-se pensar no
comportamento dos seres humanos. Isto é lógico, visto que, embora os políticos
sejam criaturas exóticas, ainda são humanos. E, como são humanos, seguem o
instinto de buscar o prazer por meio do poder. Faz parte da natureza do ser
humano ser egoísta. Todos nós somos egoístas, pois o que nos há de maior valor
é, obviamente, nós mesmos. A nossa vida baseia-se no princípio simples de
buscar sensações boas, sentimentos benéficos e engrandecedores, para nós mesmos
aproveitarmos. Não há sentido em viver quando o indivíduo se sente mal em
conviver com o próprio corpo. Quando experimentamos um prazer, sentimo-nos
vivos. A nossa vida se baseia em percebermos que estamos vivos.
Todos nós buscamos o poder e
qualquer meio é válido para alcançarmos este objetivo. Obviamente, queremos nos
preservar a todo custo, o que é instintivo. O poder é a nossa vida e dele
surgem os prazeres mais grandiosos. Mesmo o político com o sorriso mais bonito,
com a maior eloquência, com o rosto mais limpo, com o cabelo mais bem penteado,
mente. A mentira é um preço extremamente pequeno em comparação à fama e
fortuna. Aliás, é justamente destes políticos – pessoas – que se esforçam tanto
em passar uma boa imagem e que possuem oratória mais desenvolvida que são o
maior problema. Se você acha que eles são bons, é porque eles lhe convenceram a
pensar isto, e quem convence tem plena consciência de que não é digno ao cargo.
Tem plena consciência de que é egoísta. E, o mais perigoso dos fatos: tem pleno
conhecimento acerca da natureza humana. Informação é poder. Informação é poder
prever e moldar o seu próprio futuro.
Aqui estão as ferramentas de
demagogia: estatísticas mentirosas, condução da massa, campanhas milagrosas,
discurso eloquente e fluido, etc.
Informação é poder.
O Brasil carece em educação e,
ainda por cima, o voto é obrigatório – que democracia estranha, essa. Como o
povo não tem acesso à informação, são facilmente persuadidos pelos políticos e
votam nestes com esperança, do mesmo modo como uma criança confia nos seus pais
e tem esperança de que eles façam o melhor a ela. As campanhas eleitorais são
puro marketing: não se vendem produtos, se vendem emoções.
Ah, claro, o povo também é
humano e também quer a sua parcela de prazer, pois esta é a essência e o motivo
de viver dos humanos. Pois bem, o prazer fornecido é o carnal, o mais primitivo
dos prazeres. Cerveja, futebol e sexo. Para qualquer direção que se olhe, há
prazeres carnais. Na televisão há sexo, na música há sexo, nas bebidas há sexo,
nos outdoors há sexo, no futebol há poder – e, portanto, prazer –, etc.
Para que o Brasil siga o seu
bendito lema consagrado “ordem e progresso”, deve haver algumas mudanças
básicas no sistema de gerir o país: redução de salários dos políticos,
eliminação do voto obrigatório e melhoria na educação. Veja que cada uma destas
opções se relaciona a poder e persuasão. E somente o povo pode mudar o cenário.
Faz parte da natureza do ser humano abrir mão do seu estado cômodo apenas
quando ameaçado de ir a um estado extremamente incômodo.
É muito fácil governar – dominar
– um país pelo prazer e ignorância. Pão e circo.
Se você ainda acha que eu estou
delirando, pense nisso: cada um dos candidatos atuais à presidência desmente o
outro... Isso já não é sinal de que AMBOS estão mentindo?
O problema é o povo, pois o
governo continuará ser o governo independente de quem assume o posto da
presidência.
Não somos corrompidos pelo
poder. Somos todos naturalmente corrompidos. Apenas nos conservamos até que
estejamos seguros para praticar a nossa corrupção.
Mais uma vez: informação é
poder.
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