domingo, 26 de outubro de 2014

Ignorância é uma bênção


Quando se pensa em política, deve-se pensar no comportamento dos seres humanos. Isto é lógico, visto que, embora os políticos sejam criaturas exóticas, ainda são humanos. E, como são humanos, seguem o instinto de buscar o prazer por meio do poder. Faz parte da natureza do ser humano ser egoísta. Todos nós somos egoístas, pois o que nos há de maior valor é, obviamente, nós mesmos. A nossa vida baseia-se no princípio simples de buscar sensações boas, sentimentos benéficos e engrandecedores, para nós mesmos aproveitarmos. Não há sentido em viver quando o indivíduo se sente mal em conviver com o próprio corpo. Quando experimentamos um prazer, sentimo-nos vivos. A nossa vida se baseia em percebermos que estamos vivos.
Todos nós buscamos o poder e qualquer meio é válido para alcançarmos este objetivo. Obviamente, queremos nos preservar a todo custo, o que é instintivo. O poder é a nossa vida e dele surgem os prazeres mais grandiosos. Mesmo o político com o sorriso mais bonito, com a maior eloquência, com o rosto mais limpo, com o cabelo mais bem penteado, mente. A mentira é um preço extremamente pequeno em comparação à fama e fortuna. Aliás, é justamente destes políticos – pessoas – que se esforçam tanto em passar uma boa imagem e que possuem oratória mais desenvolvida que são o maior problema. Se você acha que eles são bons, é porque eles lhe convenceram a pensar isto, e quem convence tem plena consciência de que não é digno ao cargo. Tem plena consciência de que é egoísta. E, o mais perigoso dos fatos: tem pleno conhecimento acerca da natureza humana. Informação é poder. Informação é poder prever e moldar o seu próprio futuro.
Aqui estão as ferramentas de demagogia: estatísticas mentirosas, condução da massa, campanhas milagrosas, discurso eloquente e fluido, etc.
Informação é poder.
O Brasil carece em educação e, ainda por cima, o voto é obrigatório – que democracia estranha, essa. Como o povo não tem acesso à informação, são facilmente persuadidos pelos políticos e votam nestes com esperança, do mesmo modo como uma criança confia nos seus pais e tem esperança de que eles façam o melhor a ela. As campanhas eleitorais são puro marketing: não se vendem produtos, se vendem emoções.
Ah, claro, o povo também é humano e também quer a sua parcela de prazer, pois esta é a essência e o motivo de viver dos humanos. Pois bem, o prazer fornecido é o carnal, o mais primitivo dos prazeres. Cerveja, futebol e sexo. Para qualquer direção que se olhe, há prazeres carnais. Na televisão há sexo, na música há sexo, nas bebidas há sexo, nos outdoors há sexo, no futebol há poder – e, portanto, prazer –, etc.
Para que o Brasil siga o seu bendito lema consagrado “ordem e progresso”, deve haver algumas mudanças básicas no sistema de gerir o país: redução de salários dos políticos, eliminação do voto obrigatório e melhoria na educação. Veja que cada uma destas opções se relaciona a poder e persuasão. E somente o povo pode mudar o cenário. Faz parte da natureza do ser humano abrir mão do seu estado cômodo apenas quando ameaçado de ir a um estado extremamente incômodo.
É muito fácil governar – dominar – um país pelo prazer e ignorância. Pão e circo.
Se você ainda acha que eu estou delirando, pense nisso: cada um dos candidatos atuais à presidência desmente o outro... Isso já não é sinal de que AMBOS estão mentindo?
O problema é o povo, pois o governo continuará ser o governo independente de quem assume o posto da presidência.
Não somos corrompidos pelo poder. Somos todos naturalmente corrompidos. Apenas nos conservamos até que estejamos seguros para praticar a nossa corrupção.
Mais uma vez: informação é poder.

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