quinta-feira, 31 de julho de 2014

Correndo atrás da cauda



Não somos seres da paz, a tranquilidade nos incomoda. Vivemos em caos. Como na física, diferenças entre estados – gradientes de grandezas – devem existir para que ocorram mudanças na vida. Somos movidos a mudanças físicas e emocionais. A frustração ocorre quando não exercitamos o nosso potencial, quando ficamos estagnados. Vivemos em movimento.
O sentido que adotamos naturalmente é a busca pelo contentamento pessoal, é gostar de viver consigo mesmo. Satisfação. Evolução pessoal é o meio para a felicidade. Independência e liberdade. Buscamos constantemente conseguir o que desejamos para nós. Sonho impossível e infinito.
Altos e baixos são necessários. Perturbações da paz planejadas, previstas ou imprevistas.
A felicidade de nada vale na ausência da tristeza. A serenidade não tem o mesmo sabor sem a agitação inquieta. Vivemos para resolver os problemas que nós arranjamos.
Damos valor a algo apenas quando escapa de nós.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A cara a tapa



Pessimismo e otimismo são dois tipos de ilusão. No primeiro o indivíduo aceita e no segundo ele ignora os sentimentos ruins. São dois modos de auto-preservação. No pessimismo a pessoa vive na mesma tristeza, porém evita uma tristeza maior. No otimismo o indivíduo se ilude em alegria e está sujeito a sofrer uma tristeza imensa a qualquer momento, numa eventual desilusão.
No realismo a pessoa vive a realidade nua e crua. Ela simplesmente vive a vida e está ciente de que ninguém está livre de quaisquer sentimentos.
O objetivo é e sempre foi a felicidade. Não seja idiota, seja realista.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Interminável como um pêndulo



Indecisão. Muitos se remoem por causa disso, e a resposta é bem simples. O que acontece é que, quando vivemos e experimentamos os sentimentos negativos da vida, quando sentimos a alegria virar tristeza – cuja queda é maior do que simplesmente uma tristeza de repente –, percebemos que estamos sujeitos a esse tipo de emoção a qualquer instante.
O que menos queremos é perder o que tanto queremos. Em segundo lugar vem não ter o que tanto queremos. Em terceiro lugar vem ter o que não queremos. Portanto, o grande problema está no primeiro caso, isto é: afastar pessoas que amamos, por exemplo. E como esse sentimento é muito ruim, com a vivência criamos um mecanismo de defesa – muito idiota, por sinal – que é “não saber se queremos ou não permanecer ao lado da pessoa”.
Esse mecanismo é idiota: quando você não quer algo, você tem certeza de que não quer algo. Se você está em dúvida se quer ou não quer, você oscila entre duas opções: “eu quero” e “eu não quero”. Se você está indeciso entre as duas opções, é porque, provavelmente, a princípio, as duas podem ser verdadeiras. Porém, a opção “eu não quero” não é verdadeira, pois se você não quisesse o problema estaria resolvido. Ninguém quer o que não quer, ninguém fica em duvida quando algo só lhe provoca o mal. Logo, sobra a opção “eu quero”.
Ou seja, em suma, se você está indeciso acerca de estar ao lado de uma pessoa, é porque você quer sim estar ao lado desta pessoa. O que acontece é que você tem medo de sofrer por atitudes desta pessoa – pois o que mais tememos é tudo aquilo que não está sob nosso controle, nesse caso, as atitudes e os desejos da outra pessoa –, acarretando no disparo do mecanismo de defesa idiota.
Resumindo o resumo: se você está confuso, você quer sim.
Como resolver esse impasse? Acredito que a palavra-chave é “confiança”. A falta de confiança é a causa de vários problemas. O restante deles é causado pela falta de consideração, de respeito (por parte de quem traiu a confiança do outro).
Precisamos de mais confiança e menos desavença. Mais conversa e menos ignorância.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Vida virtual



Por definição, o virtual é intangível e irreal. É uma simulação de algo. Não existe realmente, mas lá está. Ligamo-nos intensivamente a este mundo inexistente pelas ditas redes sociais, onde tudo está sujeito a ser distorcido e manipulado diferentemente de acordo com as experiências e intuições pessoais. Muitas histórias a dois podem ser demolidas ou anteparadas nesta maldição moderna. Uma fábrica de ilusões e desilusões gratuitas.
Cada vez mais confundimos o real com o virtual. Um simples bloqueio de perfil em uma rede social é tido como um desastre, embora não tenha muita significância. Somos mais poderosos, mais destemidos, mais altos, mais fortes e mais cruéis neste mundo de mentirinha. Lá esquecemos gradativamente das regras básicas de vivência e do bom senso. Vestimos uma máscara, um capuz, um sobretudo, uma calça grossa, umas luvas e uns coturnos e mudamos completamente de figura. Estamos renovados, mas mais pesados. A vida alternativa nos excita, mas é degradante. A curiosidade nos mata.
A vida virtual é tão mais interessante que a real, é tão mais conveniente e controlável.
Que pena: vivemos no mundo real.
Esperávamos que a ferramenta virtual nos ajudasse, mas atrapalha a ponto de quase não compensar o uso (haverá um dia em que será intensamente deletério). Era para alimentar o nosso vigor, mas nos torna mais frios. Era para ser uma extensão da nossa vida, mas sutilmente vira a vida em si. Oh, mundo virtual cruel!


E assim, aos poucos, nos distanciamos da nossa humanidade.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Admirável mundo novo



A sociedade e a máxima "pegar e não se apegar". Curtir a vida agora é sinônimo de  “pegar” o máximo de pessoas que conseguir e achar isso louvável. Não há a menor necessidade disso, além de ser uma desvalorização do ser humano e dos relacionamentos, que agora são discernidos em "pegar", "ficar" e "relacionamento sério". E qual relacionamento não é sério? Os sentimentos são tudo o que somos e são as coisas de maior importância nas nossas vidas. A geração atual está sendo fortemente influenciada pela mídia e pela arte. Mandam-nos ser "fortes" e não demonstrar sentimentos, não se apaixonar, não amar... Estão distorcendo o sentido de "curtir a vida", estão nos tirando aos poucos a sensação de viver um amor ao lado de uma companhia que nos completa, que nos suporta, que VIVE conosco.
Continuem pegando, ficando, descartando pessoas e sendo descartados. Desvalorizando e sendo desvalorizados. Continuem enganando, mentindo, fingindo e dizendo palavras importantes da boca para fora, como "eu te amo", "meu amor", "você me faz feliz", "eu gosto de você", "quero viver ao seu lado", sem ao menos ter certeza de que é realmente isto que querem. Continuem se jogando em relacionamentos superficiais e arrastando a outra parte para a desilusão amorosa... Continuem alimentando esse sistema nocivo. É muito conveniente para eles a solteirice, pois solteiros gastam tudo o que têm e não têm em bebidas, festas, para as “pegações”.
Pense consigo: Por que você "pega" várias pessoas sem compromisso? Quem te disse que isso é necessário na sua vida?
Qual é o seu valor?

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Responsabilidade



A maioria age de maneira infantil. Criam vínculos amorosos/afetivos com as pessoas – se relacionam a estas – e descartam-na após um tempo, quando deixam de ser convenientes – quando deixam de agir e reagir de acordo com o esperado. O ser humano tratado como objeto de prazer. Muitos esquecem que estamos sujeitos a nos apegar aos outros por inúmeros motivos. O coração direciona, mas é a razão que conduz. Haja como um ser pensante, e não como um completo ignorante, pois dependemos uns dos outros.
A partir do momento que você se relaciona com alguém, seja brevemente ou em longo prazo, você é responsável, até certo ponto (dependendo da natureza da interação), pelo que esta pessoa irá sentir em relação a você, à sua índole, no futuro. O seu comportamento quando com esta pessoa, verdadeiro ou encenado, é evidência para discussões (discussões, não brigas) quando desentendimentos surgirem. Vários veem como solução deste problema ignorar e/ou espezinhar os sentimentos da pessoa “irritante”, um problema que você mesmo arranjou e tinha plena consciência da possibilidade de um cenário deste desde o primeiro cumprimento trocado. Esta resposta é infantil e egoísta, e não traz resultados positivos para nenhum dos envolvidos. Esta atitude só gera mais preocupações, e preocupações são as coisas mais idiotas do mundo: se ocupar pensando em algo obsessivamente, não contribuindo para a ultrapassagem do obstáculo.
A resposta mais adequada e adulta é esclarecer todas as dúvidas, as impossibilidades, as possibilidades e os sentimentos envolvidos na relação interpessoal. Esta é definida como qualquer ação ou tentativa de um indivíduo interagir com o outro (conversar, “pegar”, “ficar”, etc). Estamos sujeitos a conflitos de ideais e desejos e também expostos a emoções. A melhor maneira de resolver problemas de relacionamentos humanos NÃO É ignorando, se aproveitando e rebaixando o outro. Se você é um adulto responsável, você deverá resolver os impasses conversando com calma para buscar uma solução, enquanto faz ao menos o mínimo para suportar esta pessoa. Se você é um adulto responsável, assuma as consequências.
Ignorar um problema não é resolvê-lo. Para toda ação há uma reação. É clichê afirmar isto: conflitos geram mais conflitos, ódio gera mais ódio – são auto-catalíticos. Todavia, clichês recebem essa denominação por um bom motivo: são reais.
Se você não tem sente nada suficientemente profundo pela outra pessoa (ainda, ao menos), não a arraste ao seu inferno. Não aposte com sentimentos. Somos todos instáveis, somos humanos, e não há nenhuma vergonha ou indignidade em exercer o que somos. Trate as pessoas como seres vivos, e não como objetos de entretenimento.
Lembre-se: para tudo há consequências. Viver indiferente aos eventos é viver indiferente à vida. Ninguém disse que é fácil.