Este texto não tem intenção de desrespeitar alguém.
O único propósito disto é expor o meu modo de ver a sociedade, as relações
humanas e a vida.
A
sociedade espera a gentileza – os bons costumes – das pessoas. Porém o próprio
ato de esperar algo de alguém com base em um roteiro, um protocolo, um
regulamento, uma compilação de procedimentos que caracterizam um bom cidadão,
já é desrespeitoso por estar invadindo a privacidade da pessoa e negando a sua
individualidade. Estes “regulamentos do bom cidadão” são chamados de “gentilezas”,
e nele são inclusas as formalidades conhecidas como “palavrinhas mágicas”: por
favor, obrigado, com licença, desculpa, disponha, bom dia, boa tarde, boa noite, até mais, etc.
Há
uma diferença entre respeito e gentileza. O respeito é indispensável, enquanto
a gentileza somente fornece meios para facilitar a prática do respeito. A gentileza
não existe sem o respeito, entretanto o respeito pode existir sem a gentileza.
Dizer que a “gentileza” – entenda-a como um conjunto de regrinhas e palavras
mágicas – não é estritamente necessária para se ter respeito parece um
escândalo, mas não é.
O que é escândalo é que quase
ninguém vê que se deixa ser invadido por um conjunto de costumes milenares que
a sociedade tomou como sendo o correto, o único correto, como sendo o padrão do
aceitável, como sendo o indispensável para se conviver com os demais seres
humanos.
O grande escândalo é a sociedade
não aceitar a sua individualidade, ou seja, quem você realmente é (os seus
desejos, a sua filosofia e toda a sua personalidade) e cobrar de você
procedimentos tomados como “boa educação” (gentilezas), que não passam de meras
formalidades. Caso contrário, caso você não adote este padrão na sua vida, você
será julgado como desrespeitoso, quando nem sempre é verdade.
Desrespeitoso é alguém que julga
as pessoas, alguém que ofende as pessoas, alguém que xinga as pessoas, alguém
que perturba a paz alheia. Desrespeitoso é alguém não aceitá-lo do jeito que
você é e cobrar de você como viver a sua própria vida, doutriná-lo, aplicar
dogmas para interpretar as suas ações. O desrespeito verdadeiro é por parte da
sociedade que o julga de abominável somente por não ser igual aos demais seres
humanos.
Depois disto tudo, repito: a
“boa educação”, as “gentilezas”, que a sociedade espera de você não é
estritamente necessária. Não é preciso ser do jeito que todos esperam que você
seja para que você os respeite. Simplesmente, o respeito está em aceitar as
pessoas e não incomodá-las com julgamentos, críticas destrutivas, reprimendas,
entre outras maneiras de invadir a vida desta pessoa negativamente. Conviver em
harmonia significa respeito, e você convive harmonicamente com todos,
automaticamente, quando deixa de incomodá-los, simplesmente. Gentilezas são
bônus dispensáveis, mas não prejudiciais.
Não dizer “obrigado” não quer
dizer que a pessoa seja desrespeitosa. Possivelmente esta pessoa não se sente
confortável em largar mão da sua individualidade de personalidade em troca de
um conjunto de normas do “bom cidadão”. Talvez esta pessoa reserve as palavras
mágicas para uma pessoa especial a ela, usando-as por livre e espontânea
vontade como demonstração de afeição profunda. A pessoa tem o seu próprio modo
de respeito, e este modo deve ser respeitado. A pessoa não quer seguir cegamente
doutrinas impostas sobre ela, ela não quer ser coagida a agir de tal modo
somente porque alguém teve a infelicidade de dizer que este modo de agir é o
único aceitável na sociedade.
Não estou querendo me fazer de
vítima, mas, com base nas pessoas que encontrei até hoje, através de fatos da
minha vivência, eu ainda sou o único que eu conheço a pensar deste modo. Eu não
acho esta visão incorreta, inclusive, acho que é um modo extremamente sensato,
prático e confortável de viver. O que importa é você estar confortável consigo
mesmo, contanto que não prejudique o conforto dos alheios. Deste modo, eu sigo
o que eu mesmo acredito, eu vivo do jeito que eu acho mais confortável a mim
mesmo, sem sacrificar o bem estar dos outros seres humanos. Eu não estou
julgando você, leitor, eu apenas vivo no limiar entre o agradável a mim e aos
outros, sem seguir nenhum modelo padrão de “boa educação”. Sem seguir costumes
de conduta social que os outros julgam necessário. Eu vivo a meu modo, sem
permitir que os outros mudem o meu modo de ser. Sinceramente, é sufocante viver
de acordo com as expectativas minuciosas de comportamento da sociedade. É
excruciante viver regrado, medindo cada mínima ação realizada por si, e assim
medindo a si mesmo toda hora, sem descanso. Eu prefiro viver confortável comigo
mesmo, em liberdade comigo, todavia não prejudicando as pessoas aos meus
arredores. Eu prefiro valorizar as minhas opiniões às dos outros, pois o que
mais importa na vida de alguém é este mesmo alguém.
A
moral é: respeito e gentileza não são sinônimos.
Lembre-se: o mais importante na
sua vida é você viver confortável consigo mesmo. Viva as suas verdades e não
deixe que os outros o doutrinem. Não se curve perante as verdades dos outros.
Questione e critique as suas próprias ações e arque com as consequências quando
você achar que forem merecidas. Seja honesto consigo mesmo. Seja honesto com
todos.
Respeite a minha opinião, pois
eu não desrespeitei a sua.