Por definição, o virtual é intangível e irreal. É
uma simulação de algo. Não existe realmente, mas lá está. Ligamo-nos intensivamente a este mundo inexistente pelas ditas redes sociais, onde tudo está
sujeito a ser distorcido e manipulado diferentemente de acordo com as
experiências e intuições pessoais. Muitas histórias a dois podem ser demolidas
ou anteparadas nesta maldição moderna. Uma fábrica de ilusões e desilusões
gratuitas.
Cada vez mais confundimos o real com o virtual. Um simples bloqueio de perfil em uma rede
social é tido como um desastre, embora não tenha muita significância. Somos mais poderosos, mais destemidos, mais
altos, mais fortes e mais cruéis neste mundo de mentirinha. Lá esquecemos
gradativamente das regras básicas de vivência e do bom senso. Vestimos uma
máscara, um capuz, um sobretudo, uma calça grossa, umas luvas e uns coturnos e
mudamos completamente de figura. Estamos renovados, mas mais pesados. A vida
alternativa nos excita, mas é degradante. A curiosidade nos mata.
A vida virtual é tão mais
interessante que a real, é tão mais conveniente e controlável.
Que pena: vivemos no mundo real.
Esperávamos que a ferramenta
virtual nos ajudasse, mas atrapalha a ponto de quase não compensar o uso (haverá um dia em que será intensamente deletério). Era para alimentar o nosso vigor, mas nos torna mais frios. Era para
ser uma extensão da nossa vida, mas sutilmente vira a vida em si. Oh, mundo
virtual cruel!
E assim, aos poucos, nos
distanciamos da nossa humanidade.
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