sexta-feira, 25 de julho de 2014

Interminável como um pêndulo



Indecisão. Muitos se remoem por causa disso, e a resposta é bem simples. O que acontece é que, quando vivemos e experimentamos os sentimentos negativos da vida, quando sentimos a alegria virar tristeza – cuja queda é maior do que simplesmente uma tristeza de repente –, percebemos que estamos sujeitos a esse tipo de emoção a qualquer instante.
O que menos queremos é perder o que tanto queremos. Em segundo lugar vem não ter o que tanto queremos. Em terceiro lugar vem ter o que não queremos. Portanto, o grande problema está no primeiro caso, isto é: afastar pessoas que amamos, por exemplo. E como esse sentimento é muito ruim, com a vivência criamos um mecanismo de defesa – muito idiota, por sinal – que é “não saber se queremos ou não permanecer ao lado da pessoa”.
Esse mecanismo é idiota: quando você não quer algo, você tem certeza de que não quer algo. Se você está em dúvida se quer ou não quer, você oscila entre duas opções: “eu quero” e “eu não quero”. Se você está indeciso entre as duas opções, é porque, provavelmente, a princípio, as duas podem ser verdadeiras. Porém, a opção “eu não quero” não é verdadeira, pois se você não quisesse o problema estaria resolvido. Ninguém quer o que não quer, ninguém fica em duvida quando algo só lhe provoca o mal. Logo, sobra a opção “eu quero”.
Ou seja, em suma, se você está indeciso acerca de estar ao lado de uma pessoa, é porque você quer sim estar ao lado desta pessoa. O que acontece é que você tem medo de sofrer por atitudes desta pessoa – pois o que mais tememos é tudo aquilo que não está sob nosso controle, nesse caso, as atitudes e os desejos da outra pessoa –, acarretando no disparo do mecanismo de defesa idiota.
Resumindo o resumo: se você está confuso, você quer sim.
Como resolver esse impasse? Acredito que a palavra-chave é “confiança”. A falta de confiança é a causa de vários problemas. O restante deles é causado pela falta de consideração, de respeito (por parte de quem traiu a confiança do outro).
Precisamos de mais confiança e menos desavença. Mais conversa e menos ignorância.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Vida virtual



Por definição, o virtual é intangível e irreal. É uma simulação de algo. Não existe realmente, mas lá está. Ligamo-nos intensivamente a este mundo inexistente pelas ditas redes sociais, onde tudo está sujeito a ser distorcido e manipulado diferentemente de acordo com as experiências e intuições pessoais. Muitas histórias a dois podem ser demolidas ou anteparadas nesta maldição moderna. Uma fábrica de ilusões e desilusões gratuitas.
Cada vez mais confundimos o real com o virtual. Um simples bloqueio de perfil em uma rede social é tido como um desastre, embora não tenha muita significância. Somos mais poderosos, mais destemidos, mais altos, mais fortes e mais cruéis neste mundo de mentirinha. Lá esquecemos gradativamente das regras básicas de vivência e do bom senso. Vestimos uma máscara, um capuz, um sobretudo, uma calça grossa, umas luvas e uns coturnos e mudamos completamente de figura. Estamos renovados, mas mais pesados. A vida alternativa nos excita, mas é degradante. A curiosidade nos mata.
A vida virtual é tão mais interessante que a real, é tão mais conveniente e controlável.
Que pena: vivemos no mundo real.
Esperávamos que a ferramenta virtual nos ajudasse, mas atrapalha a ponto de quase não compensar o uso (haverá um dia em que será intensamente deletério). Era para alimentar o nosso vigor, mas nos torna mais frios. Era para ser uma extensão da nossa vida, mas sutilmente vira a vida em si. Oh, mundo virtual cruel!


E assim, aos poucos, nos distanciamos da nossa humanidade.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Admirável mundo novo



A sociedade e a máxima "pegar e não se apegar". Curtir a vida agora é sinônimo de  “pegar” o máximo de pessoas que conseguir e achar isso louvável. Não há a menor necessidade disso, além de ser uma desvalorização do ser humano e dos relacionamentos, que agora são discernidos em "pegar", "ficar" e "relacionamento sério". E qual relacionamento não é sério? Os sentimentos são tudo o que somos e são as coisas de maior importância nas nossas vidas. A geração atual está sendo fortemente influenciada pela mídia e pela arte. Mandam-nos ser "fortes" e não demonstrar sentimentos, não se apaixonar, não amar... Estão distorcendo o sentido de "curtir a vida", estão nos tirando aos poucos a sensação de viver um amor ao lado de uma companhia que nos completa, que nos suporta, que VIVE conosco.
Continuem pegando, ficando, descartando pessoas e sendo descartados. Desvalorizando e sendo desvalorizados. Continuem enganando, mentindo, fingindo e dizendo palavras importantes da boca para fora, como "eu te amo", "meu amor", "você me faz feliz", "eu gosto de você", "quero viver ao seu lado", sem ao menos ter certeza de que é realmente isto que querem. Continuem se jogando em relacionamentos superficiais e arrastando a outra parte para a desilusão amorosa... Continuem alimentando esse sistema nocivo. É muito conveniente para eles a solteirice, pois solteiros gastam tudo o que têm e não têm em bebidas, festas, para as “pegações”.
Pense consigo: Por que você "pega" várias pessoas sem compromisso? Quem te disse que isso é necessário na sua vida?
Qual é o seu valor?